Rosas, manhosas ou poderosas?
Webinar da REB sobre a poesia de Camões e as representações
femininas que assumem protagonismo nos seus versos.
No 2.º período e no âmbito da planificação de Português, os alunos de 6º ano trabalharam a obra Ulisses e os temas da aventura, da viagem e do herói. A Biblioteca Escolar associou-se a este percurso com a atividade “Se leste Ulisses…, talvez gostes de…”, pensada não para repetir a aula de Português, mas para prolongar a leitura no espaço da biblioteca.
Depois da leitura orientada em sala de aula, os alunos vieram à Biblioteca para descobrir outros livros que dialogam com o universo de Ulisses: histórias de viagens, desafios, heróis, fantasia e crescimento. A partir do fundo documental existente, cada aluno escolheu um livro e preencheu um cartão de recomendação, completando a frase:
“Este livro pode interessar a quem gostou de Ulisses porque…”
Os cartões foram colocados nos próprios livros, transformando os alunos em mediadores de leitura: leitores que falam para outros leitores.
Esta atividade articula-se diretamente com a planificação de Português, ao partir da obra estudada, mas assume uma identidade clara de Biblioteca pois promove a escolha autónoma, a circulação de livros, a recomendação entre pares e a relação afetiva com o acervo.
Finalmente, esta atividade está em plena consonância com o Referencial Aprender com a Biblioteca Escolar, ao trabalhar:
A literacia da leitura, através da escolha informada e do contacto direto com os livros;
A criação de comunidades de leitores, onde os alunos partilham gostos e sugestões;
A Biblioteca como espaço de descoberta, fruição e autonomia.
Mais do que “trabalhar” um livro, a ideia foi simples: mostrar que, quando uma história nos marca, ela pode ser o início de muitas outras.
Com as turmas do 9.º ano, a Biblioteca Escolar associou-se à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento para dar voz a realidades que, embora distantes geograficamente, dizem respeito a todos nós: os atentados aos direitos das crianças em diferentes partes do mundo.
A partir de temas como o casamento precoce, as crianças-soldado, a mutilação genital feminina ou o trabalho infantil, os alunos foram convidados a investigar países e contextos onde estes direitos continuam a ser negados. Leram, pesquisaram, questionaram e refletiram.
Planificada segundo o referencial Aprender com a Biblioteca Escolar, a atividade colocou a leitura no centro da aprendizagem: ler para compreender, para interpretar a informação e para construir uma visão crítica sobre o mundo.
Entre dados, histórias reais e debate, ficou claro que a leitura também é um ato de cidadania. A Biblioteca Escolar reafirma-se, assim, como um espaço onde se aprende a pensar, a sentir e a agir de forma mais consciente e solidária.
No último dia de aulas antes das férias de Natal, a Biblioteca Escolar, em parceria com a Professora Palmira Martins, apresentou à comunidade educativa uma pequena peça de teatro baseada no texto O Freguês Caloteiro, da obra Robertices, de Luísa Dacosta.
A dramatização trouxe à cena o humor e a vivacidade da escrita da autora, envolvendo alunos e público num momento de partilha, leitura e expressão artística. Através do teatro, a literatura ganhou corpo e voz, mostrando como os livros podem sair das estantes e transformar-se em experiências vivas e significativas.
Foi uma forma especial de encerrar o período letivo: com histórias, riso e imaginação, deixando no ar o espírito leve e festivo que antecede o Natal.
A Biblioteca agradece a colaboração da Professora Palmira Martins e o entusiasmo de todos os participantes, desejando a toda a comunidade educativa boas leituras e umas excelentes férias de Natal.
RBE |
por Júlia Martins* |
O Natal aproxima-se e, com ele, o habitual balanço de fim de ano: o que fizemos, o que aprendemos, o que ainda gostaríamos de concretizar, o que não conseguimos realizar e continuará nos nossos objetivos a alcançar.
Nas escolas, este é também um momento especial — um tempo de reencontro com tradições, muitas histórias, memórias, sucessos e a magia das palavras que nos afagaram nos momentos mais tristes ou que nos ajudaram a celebrar alegrias. Nós, professores, cuidadores da palavra, promovemos a leitura e oferecemos aos alunos palavras: palavras doces, aventureiras, entusiasmantes, amáveis, empolgantes, mágicas entre muitas outras, e promovemos a leitura.
Em 2026, todos nós, professores e professores bibliotecários podemos e deveremos assumir um compromisso conjunto: transformar o novo ano num verdadeiro ano de leitura! De livros, de leitores e de novas formas de descobrir o prazer de ler. Juntos vamos transformar 2026 num ano para ler mais e melhor.
Ler é construir pensamento crítico, alargar horizontes, ganhar voz, descobrir novas geografias. E, numa época marcada por estímulos rápidos e dispersos, ajudar os alunos a ler mais e melhor é talvez o maior desafio educativo do nosso tempo.
Não é um desafio de uma só pessoa, mas de um movimento conjunto: professores, professores bibliotecários, escolas, famílias e comunidades educativas. Juntos desenharemos programas e projetos de leitura, dinamizaremos atividades e serão criados ambientes propícios ao encontro com os livros. Precisaremos também que muitos de nós se assumam como mediadores de aprendizagem e exemplos de curiosidade intelectual e, ainda, que sejam garantidos espaços, tempos e condições para que a leitura se instale na rotina. Por último, que as famílias reforcem em casa o que a escola semeia, mesmo que nós tenhamos consciência que não é fácil.
É preciso criar redes, comunidades leitoras, para darmos aos nossos alunos, não apenas competências, mas sobretudo oportunidades: de imaginar, de pensar, de questionar, de crescer.

Entre tantas reflexões sobre o gosto de ler, vale a pena destacar La Furia de la Lectura – Por qué seguir leyendo en el siglo XXI, uma obra que destaca, com paixão e lucidez, a importância de continuarmos a ler numa era dominada por ecrãs, notificações e consumos rápidos. A leitura deste livro lembra-nos que a leitura é um ato de resistência.
Resistência à superficialidade.
Resistência à velocidade.
Resistência à perda de profundidade do pensamento.
É urgente colocar a leitura no centro da vida cívica, cultural e emocional.
Este livro é inspirador.
___________________________________
Para quem deseja requisitar livros na biblioteca escolar, comprar ou oferecer livros ou para quem quer apenas reencontrar o gosto de folhear páginas, deixamos algumas sugestões que podem iluminar este Natal:

“Nesta obra absorvente, inteligente e divertida, a reconhecida psicoterapeuta britânica Philippa Perry explica o que é realmente importante e que tipo de comportamentos devemos evitar ou fomentar no relacionamento com os nossos filhos.
Em vez de desenhar o plano "perfeito", Perry oferece-nos uma visão geral de como pais e filhos podem alcançar um bom relacionamento. Cheio de conselhos sábios e saudáveis, este é o livro que todos os pais quererão ler e que todos os filhos agradecerão que os seus pais leiam também.” [sinopse da editora]
___________________________________
“Criar uma Biblioteca não é um manual de instruções, mas sim uma narrativa sobre a curiosidade, a imaginação e a perseverança.
Assim como sobre a necessidade de frequentar lugares onde reina a diversidade e onde os livros estão ao alcance de todos.
Inês Fonseca Santos e André Letria imaginaram um livro sobre o modo como se pode alcançar esse lugar mágico onde os livros se acumulam para que possamos tê-los por perto, mesmo quando alguns tendem a escapar-nos.” [sinopse da responsabilidade da editora]
____________________________________

“Mais uma vez, Afonso Cruz escreve para provocar os leitores e levá-los a pensar criticamente no que os rodeia.
Com ironia - subtil, mas crua - apresenta uma obra em que texto e ilustrações estão em contradição, dizem coisas diferentes, e isso torna a mensagem ainda mais forte, porque é desconcertante.
Com um Pai Natal – personagem criada pela publicidade para esta quadra – como figura central, esta é uma história para leitores de várias gerações.
Se é verdade que o Natal é uma quadra em que as boas intenções e o espírito de solidariedade e generosidade são veiculados, também é verdade que a profundidade do sentido primordial do Natal tem vindo a dar lugar a uma superficialidade e consumismo que transforma a compra de presentes na adulteração do que deve ser a manifestação de amor ao próximo.
«Uma das muitas coisas que me atraem nos livros de Afonso Cruz é a forma que têm de urdir sombra e luz, levando-nos pela mão pelo que na experiência humana há de inconciliável, intratável ou penoso, sem nos deixar perder de vista a beleza, a poesia e o espanto. “[sinopse da responsabilidade da editora]
___________________________________

“Nem todos escrevem cartas ao Pai Natal, mas muitas pessoas têm vontade de desabafar com ele... O Pai Natal não estava mesmo nada à espera de receber cartas tão... originais. E é justamente por isso que são tão divertidas de ler. Este livro é um convite para rir, recordar a infância, e perceber que, no fundo, todos temos algo a dizer nesta época do ano.” [sinopse da responsabilidade da editora]
___________________________________

“Histórias de criaturas mágicas têm sido contadas em todo o mundo há gerações… mas serão estas histórias apenas fantasias ou existe alguma verdade nas lendas de unicórnios e dragões, centauros e grifos? Apresentado como se fosse um caderno de um zoólogo da década de 1920, esta obra com encadernação de luxo (com capa de tecido com relevo em folha dourada), pretende responder a esta questão, revelando o mundo oculto das feras mágicas que vivem entre nós. Nestas páginas os leitores conhecerão mais sobre mitologia e criaturas belas e bizarras de todo o mundo, descobrindo seus hábitos, habitats e as lendas que as rodeiam. Aprenderão sobre a anatomia de um unicórnio, o ciclo de vida de uma fênix, incríveis danças de cortejo de dragões e muito mais neste guia definitivo para criaturas mágicas.
Livro que agradará aos leitores fascinados pela mitologia e universo das criaturas mágicas (aqui apresentado por continentes). Um livro que celebra a fantasia dando-lhe um estatuto de realidade digna dos maiores especialistas.” [sinopse da responsabilidade da editora]
__________________________________

“A História Interminável" é uma singular fantasia épica com todos os requisitos do género: criaturas fantásticas, paisagens exóticas, florestas sombrias, encantamentos, rituais de cavalaria, espadas e amuletos, uma imperatriz Criança e tudo aquilo que possamos imaginar, visto que Fantasia é o próprio mundo da Imaginação. Tudo começa quando Bastian descobre um estranho livro numa não menos estranha livraria e se sente subitamente compelido a roubá-lo como se algo de mágico o estivesse a arrastar para uma perigosa aventura. Uma obra que passou ao grande ecrã como um filme de culto.
"Faz o que quiseres" é a inscrição que consta do símbolo do poder ilimitado de Fantasia. Mas o jovem Bastian, herói desta aventura, só ao fim de uma longa e árdua busca descobre o que essa frase realmente significa.
Eis, muito sumariamente, o tema deste livro admirável que se publica agora em Portugal, confirmando também entre nós a sua extraordinária carreira internacional “ [ sinopse da responsabilidade da editora]
____________________________________

A semente desacontece para ser planta, a nuvem forma chuva, e a onda, espuma. Mas o que acontece às pessoas quando elas desacontecem? [ sinopse da responsabilidade da editora]
____________________________________

“Musgo vivia feliz e tranquilo junto dos seus donos, a Janinka e o Mirek, duas crianças brincalhonas que ele adorava. Mas quando começa a Guerra uma bomba destrói a sua casa e começa então uma grande caminhada num mundo até aí desconhecido.
Sozinho, sem abrigo nem rumo, vai ter de enfrentar situações difíceis e perigosas e resistir ao cansaço, fome e medo, Apesar das dificuldades, vive aventuras incríveis, aprende coisas novas e ganha amigos inesperados.
A amizade, a esperança e a coragem vão determinar o seu percurso. Será que ele vai conseguir reencontrar a sua família?
Uma obra premiada, de grande qualidade literária, que agradará a crianças e adultos que embarcarem nesta viagem de perdas e ganhos, boas e más pessoas, separações e reencontros, que é vivida por um cão que resolve contar as suas memórias num relato onde sentimentos e sensações se apresentam misturados.” [sinopse da responsabilidade da editora]
___________________________________

“Um romance sobre a memória, a relação entre um pai e uma filha, o milagre da vida, uma capela no deserto de onde se vê o mar.
Um homem à beira da morte compra uma igreja abandonada no deserto do Namibe, em Angola, junto a um enorme penhasco de onde se vê o Atlântico. Chama-se Leopoldo G. Borges, e é um geólogo e poeta conhecido e respeitado no seu país. Leopoldo decide transformar os últimos meses da sua vida numa escavação — não de pedras, mas da própria alma.
Durante o seu retiro no silêncio mineral do Namibe, escreve o seu diário, além de poemas, juntando reflexões, memórias, visões e presságios. No subsolo da capela em ruínas, Leopoldo descobre a réplica preservada desta, onde o tempo se dissolve e a morte parece esperar, paciente. Entre esses dois mundos, o poeta procura a filha desaparecida, Gaia, e a si próprio.
Tudo Sobre Deus é uma história sobre a finitude, a memória, a culpa e a redenção; sobre o amor entre um pai e uma filha; sobre a arte de despedir-se e o milagre de permanecer. Um romance iluminado pela luz estonteante do deserto, onde, contaminada pela ficção, a realidade se torna fluída e inconfiável.” [sinopse da responsabilidade da editora]
📷 Imagem criada com ChatGPT
___________________________________
A obra permitiu trabalhar valores como a entreajuda, a cooperação e a persistência, reforçando a importância de cada um no alcance de um objetivo comum.
Para terminar, realizou-se uma atividade de desenho: cada criança representou, à sua maneira, a lua e os animais da história. Surgiram ilustrações, coloridas e cheias de imaginação, refletindo o envolvimento e o entusiasmo de todos.
Hora do Conto: Isto ou Aquilo, de Cecília Meireles
Esta semana, na Biblioteca Escolar, trabalhámos o poema “Isto ou Aquilo”, de Cecília Meireles, com uma turma do 2.º ano. Trata-se de um texto que aborda, de forma simples e poética, a ideia de que a vida é feita de escolhas. Pequenas ou grandes, conscientes ou espontâneas, estamos sempre a escolher — e isso faz parte do crescimento.
A sessão procurou valorizar a escuta, o ritmo e a imaginação, permitindo que cada criança encontrasse no poema algo que reconhecesse no seu dia a dia. Houve espaço para conversar, para rir, para imaginar e para criar — sempre com respeito pelas diferentes formas de sentir e pensar.
No final, os alunos refletiram sobre o que significa escolher: que escolher implica deixar algo de lado, mas também descobrir algo novo; que podemos mudar de opinião; e que ninguém precisa de escolher sempre o mesmo. A poesia abriu portas para falar da autonomia, da liberdade e da própria identidade.
Foi um momento de partilha serena, onde a palavra se fez corpo, gesto e voz.